A CONSTRUÇÃO DA LINGUAGEM ORAL E ESCRITA NA PRÉ -
ESCOLA
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Esta é um reportagem bem interessante que resolvi colocar em meu blog espero que seja de ajuda a alguém.....
Resumo: O objetivo desta pesquisa consiste em verificar como é trabalhada a
linguagem oral e escrita na educação infantil; se as atividades desenvolvidas são
planejadas e orientadas cuidadosamente com vistas ao alcance de objetivos que
contribuam para o desenvolvimento dessas linguagens na infância. A pesquisa está
sendo desenvolvida em duas escolas municipais situadas em bairros periféricos que
atendem uma clientela de baixo poder aquisitivo. A técnica compreende a
observação da prática de 03 professoras que atuam com crianças de 4 e 5 anos. Os
resultados apontam certo distanciame nto entre as práticas das professoras
pesquisadas e a literatura da área. Algumas professoras, geralmente, desenvolvem
atividades sem terem definido os objetivos a serem alcançados, se configurando
mais como uma forma de ocupar o tempo das crianças do que como um momento
de proporcionar o desenvolvimento dessas linguagens e demais habilidades.
Constatamos, também, que esforços estão sendo realizados pela Coordenação de
Educação Infantil do Município no sentido de buscar a qualidade desse atendimento .
Palavras-chave: Prática pedagógica, educação infantil, linguagem oral e escrita.
Introdução: Pesquisas realizadas nas últimas décadas sobre as produções das
crianças e as práticas aplicadas pelos professores, apontaram mudanças na
concepção da linguagem oral e escrita, no que se refere ao ensino e à
aprendizagem, ocorrendo, assim, mudanças não apenas na forma de trabalhar
essas linguagens na educação infantil mas, também, na perspectiva de como a
criança interage. Essas mudanças advêm do fato de “considerar as crianças ativas
na construção de conhecimentos e não receptoras passivas de informações”, o que
determina “uma transformação substancial na forma de compreender como elas
aprendem a falar, a ler e a escrever ” (BRASIL, 2002, p.120).
Assim, a pré-escola é um momento em que deve ser favorecida a articulação
de várias linguagens. Para Zabalza (1998) é necessário criar um ambiente em que a
linguagem seja a grande protagonista, tornar possível e estimular todas as crianças
a falarem, criar oportunidades para fal as cada vez mais ricas através de uma
interação educador-criança, que a faça colocar em jogo todo o seu repertório e
superar constantemente as estruturas prévias. (p.51).
A pré-escola não pode ser apenas uma ocupação de tempo e de espaço, mas
usar este momento atribuindo sentido às linguagens que estão postas na sociedade.
Neste sentido, a leitura e a escrita podem ser trabalhadas de forma lúdica e criativa.
Segundo Perez (2005), “é através do uso de várias linguagens que a criança
expande sua criatividade, libera suas fantasias, exercita a imaginação, ao mesmo
tempo em que constrói conhecimentos sobre a leitura e a escrita num universo
particular repleto de sentido e significado”. (p.101).
Não resta dúvida que a finalidade da educação infantil não é alfabe tizar, mas
desde cedo fazer com que a criança conviva em um ambiente alfabetizador. Quando
o professor lê, pega um livro, aponta o texto, a gravura, já está criando este
ambiente. Neste sentido, o educador deve trabalhar as atividades de maneira que
possa instigar e chamar a atenção das crianças para “a presença de coisas escritas
na vida cotidiana e fazê-las perceber os vários usos sociais da escrita e da leitura
que faz parte do processo de letramento” (CARVALHO, 2000, p.14) .
Objetivo do Estudo: Identificar o tipo de prática utilizada pelas professoras d a préescola
para trabalhar a linguagem oral e escrita e se as atividades são planejadas
de forma a proporcionar o desenvolvimento dessas habilidades na criança.
Material e Métodos: Por desenvolvermos uma pesquisa qualitativa, que considera
os princípios da pesquisa-ação, definimos nosso campo de observação segundo o
critério de amostragem onde “a pesquisa é efetuada dentro de um pequeno número
de unidades (pessoas ou outras) que é estatisticamente represe ntativo do conjunto
da população” (THIOLLENT, 1985, p.61). Assim, selecionamos como campo de
pesquisa duas escolas que contam com o maior número de professoras que atu am
na pré-escola. Dentre as 20 instituições que atendem à pré -escola na cidade de
Cáceres, as duas selecionadas comportam um total de 577 crianças que
representam, aproximadamente, um terço das atendidas pelo Município . Essas
escolas estão situadas em bairros periféricos e atendem uma clientela de baixo
poder aquisitivo.
A pesquisa compreende a observação da prática de 03 professoras, sendo 1
de uma determinada escola, que foi observada durante todo o estudo e duas
professoras de outra escola, uma observada no primeiro momento e a outra
posteriormente, tendo em vista a troca de professora no ano de 2009 pelo fato da
primeira ser interina. As observações ocorreram duas vezes na semana, no período
da manhã, nos meses de agosto a novembro de 2008 e fevereiro a junho de 2009,
totalizando 72 dias de observação.
A fim de garantir o anonimato dessas escolas optamos por denominá-las de
E1 (Escola 1) e E2 (Escola 2), e as professoras serão de nominadas de PA
(professora A) da E1, PB (professora B) e PC (professora C), ambas da E2.
Resultados e Discussão: Durante as observações constatamos que as três
professoras trabalham atividades de leitura e escrita. Na E1, a PA utiliza em sua
prática recursos como crachás para ajudar as crianças a identificarem seus nomes,
ensina letras do alfabeto por meio de músicas, paródias, parlendas e histórias,
trabalha o alfabeto e os numerais na mesma atividade e ainda apresenta desafios
durante as atividades. Também ensina às crianças a função das margens do
caderno, a importância das linhas e o tamanho das letras. Durante as leituras de
histórias ela faz entonação de voz, mudando de acordo com os personagens,
gesticula conforme os acontecimentos narrados e contextualiza os aspectos que
fazem parte da história. Busca, ainda, estimular os alunos a falar e expor suas
opiniões propiciando o desenvolvimento da linguagem oral e a socialização. Logo,
parece que essas professoras trabalham de forma a ajudar as crianças a
desenvolverem suas capacidades de linguagem oral e escrita.
Na E2 a PB tem como proposta estabelecer uma rotina em sala de aula,
registrando cotidianamente a data, o nome da cidade, o dia da semana e o nome
das crianças. Ela propõe momentos em que as crianças manuseiam livros, trocam
informações e criam histórias por meio de leitura visual de figuras, mas não
coordena as atividades de forma adequada, as crianças ficam muito soltas e não há
objetividade na proposição das atividades. Isto foi observado no conto de histórias
que é de difícil compreensão para as crianças, pois, como a professora não trabalha
a entonação de voz e não imita as vozes dos personagens, as cri anças não
conseguem distinguir o personagem que está falando e para quem está se falando,
mesmo com a ajuda de figuras. As crianças não são instigadas a pensar, trocar
idéias e contar fatos vivenciados, mas apenas a da r respostas rápidas e lógicas. A
PB também trabalha com filmes, mas o momento da apresentação do vídeo não é
produtivo, pois as crianças conversam muito e os filmes não são explorados.
De acordo com Abramovick (1995), “[...] é importante para formação de
qualquer criança ouvir muitas, muitas histórias... Escutá-las é o início da
aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito
de descoberta e de compreensão do mundo...”. Nesse sentido, o RCNEI destaca a
importância da participação das crianças “nas situaçõ es em que os adultos lêem
textos de diferentes gêneros, como contos, poemas, notícias de jornal [...]” como,
também, é importante a “observação e manuseio de materiais impressos, como
livros, revistas, histórias [...]” (BRASIL, 2002, p. 140).
Não restam dúvidas de que contar histórias na educação infantil contribui com
a formação global da criança. “Tal prática, além de favorecer a relação afetiva da
criança com o livro, desde a mais tenra idade, proporciona momentos de prazer,
desperta a curiosidade, criatividade, fantasia e a imaginação” (COSTA ; VALDEZ,
2007, p.172).
A PC, também da E2, tem como proposta estabelecer uma rotina em sala de
aula, registrando cotidianamente a data, o nome da cidade, o dia da semana, o
tempo e o nome das crianças. Foi observad o que a professora trabalha quase
sempre com atividades mimeografadas, priorizando atividades de recortes e
colagens. Essas atividades na maioria das vezes foram trabalhadas de forma muito
artificial, ou seja, sem objetividade. Algumas atividades propostas pela PB e a PC
não apresentavam significado principalmente quando elas solicitam às crianças que
façam a atividade sem nenhum objetivo concreto. Por vezes, observamos que a PB
e a PC trabalham a linguagem oral escrita de forma mecânica.
Conclusão: Pode-se constatar, até o presente momento, que a PA, da E1,
demonstra ter preocupação de proporcionar diferentes recursos e maneiras para
desenvolver as atividades. Buscando também esclarecer sempre para a criança a
importância da atividade, abrindo espaço para as crianças pudessem falar, trocar
idéias, contar um pouco sobre suas experiências.
Entretanto, na E2, na maior parte das vezes, as professoras desenvolvem
atividades sem terem definido os objetivos a serem alcançados com as crianças. As
atividades desenvolvidas pela PB e PC, da E1, são trabalhadas mais como forma de
ocupar o tempo das crianças do que como um momento de proporcionar o
desenvolvimento de diversas habilidades. Pode -se observar uma preocupação por
parte delas em cumprir uma rotina de atividad es pré-estabelecidas.
A forma como as professoras da E2 desenvolvem as atividades deixa -nos
entender que elas ainda preservam uma concepção de pré -escola ora como um
momento de passa tempo ora como preparação da criança para o ensino
fundamental. Atualmente ambas as concepções estão ultrapassadas já que se
espera que “ao final da etapa da educação infantil, as crianças, tenham os
instrumentos de comunicação, expressão e representação necessários para
poderem compreender, criar e atuar no mundo que as envolv e” (BASSEDAS;
HUGUET; SOLÉ, 1999, p.76).
Em suma, apesar de os resultados preliminares indica rem, com exceções, que
a prática das professoras, de modo geral, não atende o que é preconizado pela
literatura da área, percebemos que há um incentivo por parte d a Coordenação de
Educação Infantil do Município em promover um trabalho de qualidade.
Referências Bibliográficas
ABROMOVICH, Fanny. Literatura Infantil: gostosuras e bobices . São Paulo:
Scipione, 4 ed. 1995.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Referencial
Curricular Nacional para a Educação Infantil . Brasília: MEC, 2002.
BASSEDAS, Eulália; HUGUET, Teresa; SOLÉ, Isabel. Aprender e Ensinar na
Educação Infantil. Porto Alegre: Artes Médicas Sul. 1999.
CARVALHO, Marlene. Guia Prático do Alfabetizador. 5 ed. São Paulo: Ática. 2005.
COSTA, Patrícia Lapot, VALDES, Diane. Ouvir e Viver História na Educação
Infantil: um direito da criança. São Paulo: Alínea, 2007.
PERES, Carmen L. V. Com lápis de cor e varinha condão...Um processo de
aprendizagem da leitura e da escrita. In:______. Revisitando a Pré-escola. 6 ed.
São Paulo, Cortez, 2005.
ZABALZA, Miguel A. Os dez aspectos chaves de uma educação infantil de
qualidade. In:______. Qualidade em Educação Infantil. Porto alegre, RS: ArtMed,
1998.

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