domingo, 16 de junho de 2013

LINGUAGEM MUSICAL

A música é uma linguagem muito importante na comunicação e expressão humanas. Desde antes do seu nascimento, as crianças já estão imersas num mundo de sons: pesquisas comprovam que, ainda dentro do útero, os bebês escutam e reagem aos sons do corpo materno e mesmo aos sons externos. Quando nascem, e já desde as primeiras semanas de vida, os bebês são capazes de distinguir claramente a voz humana de outras fontes sonoras. A voz materna é reconhecida pelo bebê e será um instrumento importante na construção do vínculo e na interação pais-crianças. Farão parte igualmente deste universo sonoro as canções e pequenas brincadeiras musicais que a mãe entoa para o bebê. Assim, os sons e a música constituem uma fonte importante de conexão cultural e desde muito cedo o bebê estará conhecendo e se apropriando de sonoridades características do lugar onde vive – sua família, sua comunidade, seu país.
Ao entrar no CEI, portanto, o bebê já será dono de um repertório musical, do qual farão parte sons familiares, músicas e canções entoadas pelas pessoas que conhece.
No ambiente do berçário, este repertório se ampliará e novos sons passarão a fazer parte do mundo do bebê. Assim, é importante que os professores saibam que sua voz, as brincadeiras sonoras e canções que cantarão para as crianças estarão abrindo um canal comunicativo essencial para a integração do bebê na vida do berçário.
O canto do professor para o bebê estabelece um vínculo profundamente emotivo, e mais ainda se vem acompanhado do contato físico, do olhar e do seu próprio gosto por cantar.
Em alguns momentos, algumas das atitudes do professor serão dirigidas a apenas uma criança, como quando a embala com canções e brinca com sons e músicas durante a troca de fraldas. Em outras ocasiões, ele cantará para o grupo todo ou para várias crianças como, por exemplo, no momento de dormir ou quando as crianças brincam tranqüilamente.
Nesta faixa etária, podemos esperar que as crianças percebam e reajam aos diferentes sons do ambiente – e, à medida que crescem, não apenas aos sons vocais, mas também a outras informações sonoras, que lhes provocarão diferentes reações: bem estar e alegria, susto, medo ou curiosidade. Estas reações se dão através do olhar, do choro ou da expressão corporal: é muito comum que bebês agitem pernas e braços diante de sons conhecidos ou que chorem diante de algum estímulo sonoro novo. Porém, além de escutar e distinguir sons, as crianças pequenas também são capazes de produzi-los.
Muito cedo os bebês começam a vocalizar, a brincar com sua própria voz, uma fonte inesgotável de exploração e comunicação. À medida que crescem, a pesquisa de sons produzidos com a boca também pode ocupar as crianças durante bastante tempo. As lalações – ruídos vocais ainda sem relação com a língua falada, e que até mesmo as crianças surdas produzem - os barulhos com os lábios e língua entretêm e divertem as crianças. Outro importante veículo para a expressão de sensações e desconfortos é o choro, reação inicialmente reflexa, mas que resulta no primeiro sistema de sinais que pode ser decodificado por outro.
No convívio com o professor e as outras crianças do berçário, e desenvolvendo cada vez mais habilidades motoras, as crianças amplificam suas possibilidades de produzir sons. Elas descobrem fontes sonoras surpreendentes ao bater, sacudir, chacoalhar ou empurrar objetos do seu entorno (o tampo das mesas, os banquinhos, as cortinas de tampinhas de garrafa, os talheres, etc.), bem como objetos sonoros e instrumentos musicais simples (garrafas plásticas com água, chocalhos, clavas, guizos, pandeiros etc.). Estas descobertas ganham ainda maior sentido e valor se o professor está atento a elas e as comenta com observações como: “Vejam que som alto o João fez com esse banquinho!” Assim, as crianças não apenas descobrem, mas aprendem a explorar as diferentes qualidades sonoras destes objetos.
É importante saber, porém, que mesmo percebendo parâmetros sonoros como a duração (sons mais curtos ou mais longos), a altura (sons mais graves ou mais agudos), a intensidade (sons mais fracos ou mais fortes) ou o timbre (que qualifica os sons, a partir da fonte que os origina), não se deve esperar que estes parâmetros sejam nomeados convencionalmente na educação infantil.
Como já vimos, é fundamental que o professor se ponha a cantar e que cante muito. Além dos momentos em que o professor canta diretamente para o bebê (como nas trocas de fraldas, quando os embala para adormecer e outras situações de intimidade), também os momentos em que todos cantam juntos são imensamente apreciados pelas crianças e revelam-se situações de grande aprendizagem.
Assim que possível, o professor poderá organizar situações em que o grupo de crianças acompanhe o seu canto, utilizando os objetos e instrumentos musicais. É bom lembrar, porém, que este acompanhamento não pretende uma coordenação rítmica exata. O principal é proporcionar às crianças uma experiência de compartilhar e fazer música com alegria e sensibilidade.
À medida que crescem, o interesse das crianças pela música também se diferencia.
Elas continuam suas pesquisas sobre os sons e sobre a maneira de produzi-los, por meio das diferentes vivências sonoras possibilitadas pelo professor, que disponibiliza vários objetos e instrumentos e promove a audição de músicas e canções, quer cantadas pelos adultos e por outras crianças, quer reproduzidas por aparelhos de som.
É importante que o repertório de músicas apresentado às crianças seja amplo e diversificado, composto de obras clássicas, populares, étnicas, cantadas ou instrumentais.
Um repertório diversificado qualificará a escuta das crianças, que podem aprender que há muitos tipos de música, não apenas aquela relacionada ao universo supostamente “infantil”. Quanto mais diversificado o repertório, mais as crianças terão condições de identificar, reconhecer elementos e desenvolver preferências musicais.
A experiência de vivenciar sons e silêncios ajuda os bebês a perceber os sons do ambiente e a reagir a sons e músicas por meio do olhar, movimentos e expressões vocais. Eles logo passam a compartilhar com adultos e outras crianças os estados emocionais e afetivos provocados pelos sons e pela música.
As crianças desde cedo reconhecem suas músicas preferidas pelo movimento corporal que promovem e costumam dar-lhes algum nome para identificá-las. Essa progressiva atividade de escuta musical as sensibiliza com relação às qualidades específicas da música, estimulando, incidindo e promovendo o desejo de produção sonora e musical. Elas podem construir, com a ajuda do professor, diferentes objetos sonoros e instrumentos musicais 1 e ampliar seu repertório de músicas e canções, brinquedos de roda, jogos musicais, parlendas e trava-línguas prediletos. Outra atividade muito apreciada pelas crianças, e que integra a socialização, a criação e a reflexão em grupo é a sonorização de histórias, quando as narrativas podem ser acompanhadas por objetos sonoros e instrumentos musicais. Nestas atividades, longe de fazer, ouvir e reproduzir sons sem refletir, as crianças percebem questões relacionadas aos sons e à música, inseridas em contextos de realizações musicais muito significativas. Certamente crianças que tenham a oportunidade de uma vivência musical desta qualidade terão todas as condições para improvisar e criar.
As crianças de cinco anos podem ser incentivadas a improvisar em grupo, buscando agrupar ou coordenar diferentes sons e criar pequenas frases musicais e canções que envolvam os nomes dos amigos e rimas. Outra experiência importante diz respeito ao registro dos sons por meio de formas gráficas. As crianças podem aprender a desenhar aquilo que ouvem – um som curto, comprido, grosso ou fino, por exemplo. Estas produções podem ser comentadas, comparadas e até mesmo relidas pelo grupo, como “partituras gráficas”. Estes registros podem ser enriquecidos com outros materiais, como massinha, lãs, barbantes, botões ou tampinhas, que permitem associações com diferentes tipos de sons e podem ser “lidos” de diferentes maneiras.
Juntamente com o professor, parceiro nas descobertas e na apreciação musical, as crianças podem participar cada vez mais de conversas sobre música: sobre as características, instrumentos utilizados, sentimentos que despertam etc.
BERÇÁRIO 1 – Os bebês podem ser apoiados a perceber os sons do ambiente e a reagir a sons e músicas.
Podem reconhecer suas músicas preferidas acompanhando-as por meio de movimento corporal.
BERÇÁRIO 2 – As crianças podem produzir sons batendo, sacudindo, chacoalhando etc. objetos sonoros e instrumentos musicais diversos, usando o próprio corpo e a voz. Podem ser convidadas a explorar as qualidades sonoras (intensidade, duração, timbre, altura) de objetos e instrumentos musicais diversos, mesmo sem reconhecê-las convencionalmente. Podem ainda aprender a explorar as possibilidades expressivas da própria voz.
MINI-GRUPO – As crianças podem ser desafiadas a cantar, sozinhas ou em grupo, partes ou frases das canções que já conhecem, a participar de brincadeiras musicais e a relacionar a música com a expressão corporal e a dança. Podem aprender a identificar diferentes paisagens sonoras, percebendo suas qualidades: aprender a identificar o silêncio, a identificar sons da natureza (cantos de pássaros, “vozes” de animais, barulho do vento, da chuva etc.) ou da cultura (vozes humanas, instrumentos musicais, máquinas, objetos e outras fontes sonoras). Elas podem aprender a reconhecer diferentes qualidades dos sons, ainda que não saibam nomeá-las convencionalmente, e a apreciar músicas instrumentais e diferentes expressões da cultura musical brasileira, bem como de outras culturas.
Podem também aprender a reconhecer e demonstrar sua preferência por músicas instrumentais, canções, acalantos, cantigas de roda, brincos, parlendas, trava-línguas, mnemônicas, adivinhas etc, cantar e participar de brinquedos de roda e jogos musicais.
PRIMEIRO ESTÁGIO – As crianças podem aprender a reconhecer as qualidades sonoras de determinados objetos sonoros e instrumentos musicais, a explorar diferentes maneiras de produzir sons com o próprio corpo, e a construir, com a ajuda do professor, diferentes objetos sonoros e instrumentos musicais. Podem ampliar seu repertório de músicas e canções, brinquedos de roda, jogos musicais, parlendas e trava-línguas prediletos, manifestar preferências por algumas músicas e canções, inventar canções e inventar letras para canções.
SEGUNDO ESTÁGIO – As crianças podem aprender a reconhecer o som e saber o nome de alguns instrumentos musicais, a selecionar alguns objetos sonoros e instrumentos musicais para utilizá-los em suas improvisações e composições, e a construir alguns instrumentos musicais de percussão, de sopro, de corda etc., com materiais alternativos. Podem aprender a acompanhar a narrativa de histórias usando objetos sonoros e instrumentos musicais para sonorizá-las e a contar histórias usando modulações de voz, objetos sonoros e instrumentos musicais. Elas podem ainda aprender a se interessar por músicas de diferentes gêneros, estilos, épocas e culturas, a reconhecer diversas músicas instrumentais e canções pertencentes ao repertório diversificado construído pelo grupo e a
saber usar cada vez mais a própria voz, sem forçá-la ao cantar. Podem aprender a sonorizar histórias, acompanhando as narrativas com objetos sonoros e instrumentos musicais.
TERCEIRO ESTÁGIO – As crianças podem aprender a criar pequenas composições musicais, sozinhas ou em grupos, a relacionar as características sonoras dos objetos do cotidiano com os instrumentos musicais convencionais, a registrar os sons por meio de formas gráficas, a desenhar aquilo que ouvem – um som curto, comprido, grosso ou fino, por exemplo, e a conversar sobre as características de certas músicas, os instrumentos utilizados em sua execução, os sentimentos que despertam etc.
ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS
Do repertório da educação infantil devem fazer parte canções infantis tradicionais, canções folclóricas de diferentes países e também canções do repertório popular, do agrado de seus professores. Esta é uma das ações mais básicas e eficientes e que gera transformações imediatas nas práticas de trabalho com música: ampliar o acervo musical do CEI, da creche e da EMEI, buscando um repertório diversificado, da mesma forma que se faz com os livros. O professor pode promover seções de escuta e apreciação musical de obras musicais infantis, populares, clássicas, cantadas e instrumentais.
É muito importante que o professor se interesse por cantar e que cante para as crianças. Assim, conhecer várias canções, brincadeiras, parlendas, lengalengas, brincos, rimas, adivinhas e outros jogos musicais é fundamental. Porém, tão importante quanto a seleção do repertório, são as oportunidades escolhidas para cantar para os bebês. Quando cantar? O que cantar? O professor também pode e deve selecionar os momentos em que o canto seja significativo para si e para o grupo de crianças.
Cantar ou tocar não é apenas “preencher silêncios”.
É importante lembrar que as crianças podem ter formas diferentes de participar ou manifestar sua preferência por músicas e canções. Assim, nem todas estas músicas e canções convidam à marcação do ritmo com palmas, o que pode se tornar uma reação mecânica e estereotipada. Existem muitas outras formas de apreciação e acompanhamento que é preciso saber ver, respeitar e valorizar.
O silêncio também pode e deve ser apreciado pelas crianças. Assim, a música não precisa estar presente em todos os momentos. Há ocasiões em que o silêncio é bem-vindo, pleno de significado, experiência que contribui para o ‘descanso auditivo’ e para a compreensão da música, quando ela está presente. O professor deve saber organizar as situações onde as crianças escutarão ou produzirão música em grupos, distribuindo colchonetes no chão, ou criando para elas cantinhos aconchegantes.


Orientações Curriculares – Educação infantil (pág 120 à 125)

http://portalsme.prefeitura.sp.gov.br/Documentos/BibliPed/EdInfantil/OrientaCurriculares_ExpectativasAprendizagens_%20OrientaDidaticas.pdf

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