domingo, 23 de junho de 2013

A utilização da sucata como elemento pedagógico na educação infantil e no ensino fundamental

É no âmbito escolar, onde os alunos passam a maior parte do dia, um dos espaços onde está muito presente o lazer; no momento do recreio, nas atividades culturais e demais momentos, usufruem do lazer para a construção dos seus aprendizados.
A rotina diária dos alunos e professores pode ser diversificada, sendo que a motivação para estar na escola muda conforme o sujeito, pois para alguns é encarado como lazer, enquanto que para outros é visto como o cumprimento de uma obrigação, talvez esta seja uma das justificativas para a inserção de atividades esportivas e recreativas na escola.
O lazer torna-se importante para o desenvolvimento da cultura e socialização dos alunos, possibilitando que todos interajam, os jogos e a musicalidade cumprem um importante papel contribuindo para a formação de atitudes e cidadania no que se refere ao resgate e formação da cultura local.
A utilização de materiais alternativos na construção de brinquedos e jogos lúdicos, na escola, tem larga aplicação pedagógica em sala de aula, constituindo-se em um fator interdisciplinar. Enfatizamos que o processo de construção desses jogos e brinquedos ultrapassa, em muitas vezes, os limites da escola, pois os alunos os reconstroem e aperfeiçoam, modificando-os, passando também a utilizá-los como forma de lazer em seus lares e demais espaços sociais.
Através da utilização destes materiais são desenvolvidos conceitos e aporte às diversas áreas de conhecimento, por exemplo: na linguagem, no desenvolvimento lógico-matemático, no desenvolvimento psicomotor, sendo também um excelente agente sociabilizador e de cooperação, que ocorre nos momentos de construção e de utilização desses materiais.

Fatores e características do brincar com materiais alternativos

Os materiais alternativos são conceituados como sendo todos os materiais não convencionais, reciclados ou elaborados. O uso de materiais alternativos com crianças do ensino infantil e fundamental tem um importante papel à medida que possibilita à criança participação integral na atividade proposta pelo professor, que inclui desde a coleta destes materiais, o manuseio a partir de suas vivências e trocas de experiências entre o grupo. Outro fator preponderante neste tipo de atividade é que a criança libera o seu poder de criação. Utiliza o seu imaginário e da sua fantasia para modificar, transformar, dando asas aos seus sonhos, materializando assim o personagem de sua história. Permite o descobrimento e interiorização de diversos conceitos e situações de forma progressiva, buscando o significado para o que foi construído por ela como agente participativo do processo.

Algumas observações importantes a destacar:
• A inexistência do erro: no brincar com material alternativo, a criança sempre acerta, pois é ela quem cria, é ela quem determina o que está fazendo, o que está representando, o que está vendo.
• Exploração total do material com o qual se está brincando: observa-o em todos os sentidos interpretam cada peça, experimenta, puxa, coloca em pé, vira, conta história. Qualquer objeto pode significar aos olhos da criança uma infinidade de coisas.
• Respeito às diferenças individuais: o manuseio destes materiais em jogos e brincadeiras permite o desenvolvimento das potencialidades infantis, respeitando sempre o ritmo, interesse e necessidades de cada criança.
• Fácil obtenção e valorização dos brinquedos construídos: este tipo de material pode ser encontrado em qualquer lugar, pois nada mais é do que “sucata”, ou seja, aquilo que para muitos não tem mais valor algum. A valorização se dá pelo fato de a criança ter participado da elaboração de cada parte deste objeto, valorizando o processo pelo qual as coisas se encaminham e não a perfeição estética do produto final.



METODOLOGIA UTILIZADA

Pela intencionalidade de possibilitar a construção do aluno, acredita-se que o último modelo citado de metodologia não deva ser indicado, contudo, é importante que todas as variantes metodológicas devam ser citadas.

• ATIVIDADE LIVRE:
Total autonomia aos alunos a executar as atividades conforme suas próprias motivações.

• ATIVIDADE SUGERIDA:
Mostrar o tipo de exercício, porém oferecer ao aluno a possibilidade de incluir todo o tipo de variantes.

• ATIVIDADE DIRIGIDA:
Dar pautas claras e concretas para a execução das atividades.

ALGUNS MATERIAIS ALTERNATIVOS:

• Caixa de sapatos, garrafas descartáveis, latas, cabo de vassoura, pneus, copos descartáveis, tacos de madeira, jornais, barbante, arame, sucatas em geral.




sábado, 22 de junho de 2013

PERÍDO DE ADAPTAÇÃO

“O que é o processo de adaptação? É a passagem através da qual a criança aprende a separar-se de seu ambiente familiar e se familiariza com o novo entorno, chegando-se efetivamente a outros adultos, crianças e ambiente físico, desenvolvendo pouco a pouco sentimentos de confiança e pertinência” (Lúcia Moreau Linares – “El Jardin maternal” – Ed. Paidós)

A criança, ao ingressar na escola e separar-se dos pais, vive um momento delicado, em que precisa aprender a ficar longe do convívio familiar e a relacionar-se com diferentes pessoas em um novo ambiente. Este é um dos momentos mais importantes do início de sua vida escolar e, portanto, deve ser planejado com muita atenção e cuidado. Cada nova sala ou novo grupo a que se ingressa implica uma troca e, como tal, requer um esforço de adaptação grande por parte da criança. As salas da Educação Infantil são, para muitas crianças, suas primeiras experiências sociais e exigem, portanto, um grande empenho emocional de cada uma.
Durante o período de adaptação, o professor irá se aproximando de seus alunos, respeitando os sentimentos e a maneira de ser de cada um, sem, no entanto, deixar de exercer seu papel permanentemente organizador e mantenedor das situações de trabalho.
A escola possibilita o desenvolvimento da identidade, da autonomia das crianças além de ser um espaço de conquista, obtidas nos trabalhos individuais e coletivos como jogar, desenhar, pintar, modelar, ouvir histórias, brincar no parque, passear e se relacionar com colegas, professores e assim por diante.

ATIVIDADES

As atividades propostas serão lúdicas e prazerosas, com o objetivo de observar e avaliar as atitudes de cada criança para melhor conhecê-las.
Nos momentos em sala de aula, estarei realizando uma sondagem para verificar os conhecimentos referentes à sua faixa etária como: nome, números, letras, coordenação motora, regras, socialização, etc.

Roda de conversa para apresentação da professora e da criança;
Passeio pela escola e apresentação dos funcionários e dependências;
Conversa e vivência de hábitos de higiene;
Elaboração de combinados com regras de convivência;
Músicas do repertório infantil cantadas e com auxílio de CD’s, acompanhadas de gestos e movimentos;
Identificação do nome em situações diversas, inicialmente com apoio do crachá;
Contagem oral dos alunos, contagem de meninos e meninas, separadamente, registro na lousa e soma total;
Jogos de mesa, diversos;
Brincadeiras com jogos de atenção: estátua, lenço que corra, coelhinho sai da toca, etc.;
Atividades livres no parque e areia;
Conto de histórias diversas, com ou sem auxílio de livro ilustrado.



PERÍODO DE ADAPTAÇÃO
1 - A vinda da criança para a escola deve ser preparada; entretanto, evite longas explicações para ela, pois isso pode despertar suspeitas e insegurança;
2 - A separação, apesar de necessária, é um processo doloroso tanto para a criança quanto para a mãe, mas é superado em pouco tempo;
3 - O choro na hora da separação é frequente e nem sempre significa que a criança não queira ficar na escola;
4 - A ausência do choro não significa que a criança não esteja sentindo a separação. Não force com violência e ansiedade a criança a ficar na escola;
5 - Evite comentários sobre a adaptação da criança em sua presença;
6- Cabe à mãe entregar a criança ao educador, colocando-a no chão e incentivando-a a ficar na escola. Não é recomendável deixar o educador com o encargo de retirar a criança do colo da mãe;
7 - Nunca saia escondido de seu filho. Despeça-se naturalmente.
8 - A sala de atividades é um espaço que deve ser respeitado e sua presença nela, além de dificultar a compreensão da separação, fará as outras crianças cobrarem a presença de suas mães;
9 - Incentive a criança a procurar a ajuda do seu educador quando necessitar algo, para que crie laço afetivo com ele;
10- Lembre-se que o educador atende às crianças em grupo, procurando distribuir sua atenção, igualmente, promovendo junto com a mãe a integração da criança;
11 - Se os pais confiam na escola, sentirão segurança na separação e esse sentimento será transmitido à criança, que suportará melhor a nova situação;
12 - O período de adaptação varia de criança para criança, é único e deve ser avaliado individualmente;
13 - Evite interrogatórios sobre o dia da criança na escola;
14 - Poderão ocorrer algumas regressões de comportamento durante o período de adaptação, assim como alguns sintomas psicossomáticos (febre, vômitos etc.)
15 - É comum verificar-se nessa fase uma ambivalência de sentimentos. O desejo de autonomia da criança e a necessidade de proteção ocorrem simultaneamente.
16 - Cuidado com a aparente adaptação. Os pais devem respeitar o período estabelecido pela escola.
17 - A adaptação das crianças de período integral inicialmente poderá ser feita em um turno (manhã ou tarde).


PERÍODO DE ADAPTAÇÃO
Planejamos o Período de Adaptação com muito carinho, pensando sempre no bem estar de sua criança.
Sabemos que este período é delicado tanto para a criança e sua família como para o educador. Todos estão enfrentando mudanças e iniciando um processo de socialização e afetividade.
A adaptação ocorre de maneira diferenciada entre as crianças, algumas tem mais facilidade em conviver em ambientes diferentes e com um grande número de pessoas, porém a grande maioria resiste em se separar da mamãe e então é a hora do choro. Quanto choro!!! Até mesmo as mamães choram discretamente.
Todo esse processo é normal, porém com o passar dos dias vão se estabelecendo vínculos que trarão segurança para todos. Logo, logo no lugar do choro teremos o sorriso e o beijo de despedida.
É preciso persistência, neste momento criar uma nova rotina é de fundamental importância para que a adaptação caminhe de maneira harmoniosa.
Estaremos sempre juntos escola e família, caminhando para o mesmo objetivo, o desenvolvimento pleno de nossas crianças.
Registramos aqui também o nosso muito obrigado pela confiança.
Que Deus nos abençoe!
EMEI ......
* ESTE TEXTO PODE SER ENTREGUE NAS PRIMEIRAS SEMANAS DE ADAPTAÇÃO.


sexta-feira, 21 de junho de 2013

PAIS QUE NÃO IMPÕEM LIMITES PODEM PREJUDICAR O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

uma escola que iniciava seu ano letivo. Havia várias crianças bem pequenas em adaptação. Algumas mães choravam, outras pareciam inquietas, outras irritadas. As crianças ora choravam, ora mostravam interesse e curiosidade. Uma situação bastante inquietante. Aos poucos, cada um era levado para sua sala, acompanhado pela professora, "a tia", e os amiguinhos. Porém, a curiosidade, nem sempre, suplantava a insegurança de deixar para trás o aconchego conhecido para desbravar um novo território. No olhar de cada mãe e de cada criança havia um quase "pedido de socorro". As mães pareciam estar fazendo algo imperdoável com seus filhos.
O primeiro dia de escola na vida da criança e da sua família é algo a ser celebrado, assim como o engatinhar, o caminhar e tantas outras conquistas. Entretanto, para algumas mães, é um momento de muita ambivalência, principalmente quando os pequenos são bem pequenos, por volta dos dois anos. As mães entendem que ir à escola é uma necessidade não só delas, mas dos seus filhos, porém alimentam a idéia da necessidade de controle sobre o desenvolvimento e o crescimento, e nem sempre se adequam com rapidez às mudanças inerentes ao desenvolvimento do seu filho, inclusive, encarando como um grande privilégio o acesso dos seus filhos a outra parte do processo educativo, agora fora de casa.
"Como dar o melhor aos filhos se você não faz o melhor na relação com o ambiente, com o professor, com a escola e com todos que estão inseridos no dia a dia do processo de educação?"
Voltando à cena anterior, enquanto eu passeava pela escola, observei que duas mães estavam dentro da sala de aula, achei estranho. Enfim, imaginei que para algumas crianças ou, melhor, para algumas mães, a situação havia se complicado mais. Continuei observando. Para minha surpresa, as duas mães, ora "papeavam" entre si, ora uma delas falava ao celular. A professora, muito nova, não sabia o que fazer e as crianças se agitavam. Até que num dado momento, não bastasse o desrespeito de falar ao telefone numa sala de aula, uma das mães começa a interferir nas ações da professora, sugerindo como devia agir com as crianças. Pensei: como é possível qualquer profissional, principalmente em educação, trabalhar de maneira autônoma nessa situação? Como uma mãe se vê com tanta autoridade? Dessa maneira nenhuma criança consegue aderir ao processo educacional escolar. A adaptação se tornará mais difícil e demorada!
Para completar, uma das mães reclama da escola e ameaça não voltar. Claro, estou relatando uma exceção, felizmente! De qualquer maneira, isto nos dá a idéia do que assistimos todos os dias: crianças e jovens com uma imensa dificuldade para crescer, assumir as responsabilidades próprias da sua idade, respeitar as hierarquias e seguir numa trajetória em que pai e mãe podem estar ao lado, não a frente, nem atrás. Além disso, fica mais que provado que educação ocorre por meio de atitudes coerentes, "faça o que digo e faça o que faço", por parte daqueles que são os responsáveis pela criança e pelo jovem. A velha e conhecida fórmula: exemplo.
Eleanor Roosevelt dizia: "a melhor maneira de dificultar a vida dos filhos, é facilitá-la para eles." Claro, não estou defendendo a criação de dificuldades desnecessárias, mas por que eliminar aquelas que são parte do crescimento? E, pior: como dar o melhor se você não faz o melhor na relação com o ambiente, com o professor, com a escola e com todos que estão inseridos no dia-a-dia do processo de educação?
Os livros de desenvolvimento infantil e as mais variadas teses originadas pelos mais diversos estudiosos do comportamento de crianças comprovam todos os dias, que o amor, a celebração, a verdadeira capacidade de compreender o outro e as atitudes dos pais no dia-a-dia são os principais ingredientes que nutrem o desenvolvimento biopsicossocial saudável, capacitando os seres humanos, em todas as fases da sua vida, a enfrentar seus desafios. Sem dúvida uma das maneiras de aprender é pela imitação. Pais são modelos, sempre!